terça-feira, 6 de janeiro de 2009

À perigo...

Já fazem quase três semanas que estou aqui no Rio Grande do Norte. O mar de águas quentes, o sol, a brisa que balança as palmeiras no final da tarde... e principalmente o descanso do serviço deveriam me fazer um bem danado. Mas não é isso que está acontecendo. Não estou relaxada, ao contrário, ainda bem que retorno para Maceió no domingo porque estou subindo pelas paredes. Não me contento apenas em bater siririca conversando com Diana ao telefone ou pela webcan!

Estou carente, e isso está me deixando vulnerável. Principalmente agora que o T. reapareceu. Acho que faz uns quatro anos que nos vimos pela última vez e agora ele reapareceu como um fantasma do passado, e com uma aliança ainda mais grossa no dedo: - foi para comemorar dez anos de casado, ele falou. Mesmo assim, está a fim de um revival da nossa história.

T. mora hoje em Natal com a esposa e dois filhos, um de oito e outro de cinco anos. Este último nasceu quando já éramos amantes. Eu havia me formado há pouco tempo e procurava uma colocação no mercado de trabalho. Com os grandes índices de desemprego, quase todas as portas estão fechadas para quem não tem experiência. Nessa época, T. era representante de uma empresa que estava ainda se instalando no Rio Grande do Norte, e resolveu apostar na jovem recém-saída da faculdade. Éramos um grupo pequeno de funcionários e com exceção de T. e eu, os demais faziam trabalhos externos.

Quando estávamos sozinhos, conversávamos sobre várias coisas, e um dia o papo descambou para o sexo. T. contou várias aventuras sexuais que teve fora do casamento e passou a se insinuar para mim. Eu não tinha nada o que perder - e nem o que ganhar também, é bom que isso fique claro - e nos tornamos amantes por pura atração sexual. Não me incomodava nem um pouco que ele tivesse mulher e filho, eu não os conhecia, portanto não existiam para mim.

Para resumir a história, o cara é muito bom de cama - e foi o primeiro cu que experimentei, mas isso merece um post à parte - e gamou em mim. Isso começou a me incomodar, principalmente depois que eu conheci a esposa, que estava grávida e o filho dele, numa festa de fim de ano. Isso para mim foi o fim, fiquei com um sentimento de culpa tão grande que só não confessei pra ela o que se passava entre seu marido e eu para não machucá-la.

Consegui então um emprego melhor em Maceió e fui embora. Ele passou um tempo me telefonando e chegou mesmo a vir a Alagoas à minha procura, mas como eu não cedia, ele acabou desistindo. Ou pelo menos era o que eu pensava, até reencontrá-lo por acaso. Mais velho, ele se tornou um coroa charmoso e está ainda mais sedutor que antes. Ele tentou me beijar na boca e foi difícil resistir. Me abraçava, dizia tudo que é galanteio - sei que é galanteio, mas ele fala de maneira tão sincera que quase acredito... - e já no final, quando viu que nada adiantava, chegou no meu ouvido e falou que jamais me esqueeria porque nenhuma outra pessoa havia tocado tão íntimo nele. Aí eu quase sucumbi. Na secura que eu estou, foi por menos de um milímetro que resisti.

8 comentários:

Roniclécio Firmino disse...

Conheci teu blog por meio do blog "dasHoras" do Bruno e gostei muito. Existe uma sensualidade e até um pouco de pornografia em teus textos, mas sem perder o lirismo. Espero que os demais textos continuem assim e que você se ache como pessoa como comentou em textos anteriores. Abraços e que sua vontade sacie.

Bárbara disse...

Obrigada, Roniclécio. Esses textos refletem a pessoa que sou, algumas vezes romântica, outras pornográfica e outras preguiçosa - já fazia duas semanas que eu não postava nada! rsrsrsrs
Tem coisas que falo aqui que antes não tinha coragem de admitir para mim mesma, mas posso dizer que já fiz avanços nesses dois meses de blog.
Abraços pra você também, e que você também tenha suas vontades saciadas.

André disse...

É...
Na verdade, eu acho muito sensacional essa sua idéia de escrever sobre o lado "inconfessável" da gente.
Ainda que a gente se mantenha no anonimato, a carga da repressão é tão forte, que a gente fica cheio de dedos para falar certo tipo de coisa.
Somos os nossos melhores juízes, não é isso? Sentimos na pele o que é certo ou errado. Como essa sensação de culpa que você falou aí. Ainda que você não conhecesse a esposa desse moço (que "falou que jamais te esqueceria porque nenhuma outra pessoa havia tocado tão íntimo nele"... Me veio na hora outra parte do texto, a do "foi o primeiro cu que experimentei", hehehe)... Sim, mas voltando... Ainda que você não conhecesse a esposa, quando você a viu, veio logo o sentimento de culpa. Quem deu a sentença de "culpada"? Hehehe. Foi você mesma. E essa sentença vale mais do que a de qualquer um.
Enfim, acho muito corajoso esse seu projeto. =P

Bárbara disse...

Valeu, André. Lógico que é muito fácil falar coisas protegida pelo anonimato - e sorrir por dentro quando escuto alguém conhecido comentando o blog - mas o caso que eu tive com T. não é uma história que me orgulhe, e agora que leio o texto novamente vejo que não deixei isso muito claro. Foi muito bom na época, mas a sensação de culpa foi tão grande que acabou com todo o tesão que eu tinha com ele.

O "toque íntimo" a que ele se referiu foi realmente o cu. A maioria dos homens acha que receber carinho nessa parte do corpo é um atestado de viadagem, mesmo que seja feito por mulher. Mas eu te digo uma coisa, André, quem deixa o preconceito de lado e experimenta não se arrepende ;)

Abraços.

André disse...

Então... O que eu disse foi que, mesmo no anonimato, eu ainda acho difícil falar certos tipos de coisa.

E quanto ao cu do moço, hehehe. É que quando eu li, achei que "ter tocado tão íntimo nele", era pela sua maneira de ser, de ser comportar, como conversava com ele, coisas do gênero. Achei que se tratava mais sobre sentimentos, entende? Por isso que falei a história do cu... justamente porque eu achei que não fosse. =P

E, bom... Quanto a deixar o preconceito de lado e sair experimentando, terei também que criar um blog anônimo para me pronunciar a respeito, hehehe. =P

Beijão.

Bárbara disse...

Poxa, André, "um charuto às vezes é só um charuto", como diria Freud. Nesse caso cu é cu mesmo, rsrsrsrs. Foi justamente para deixar de ligar para que os outros pensam que resolvi começar esse blog, revelando uma face que poucos conhecem. Estou sob anonimato, mas só por enquanto.

E essa troca de impressões é o que mais me atrai na blogosfera. Adorei UM RAMO DE ALECRIM - está no meu menu de favoritos - e sempre que tem um novo post eu apareço por lá. Espero também a sua visita.

Abraços.

Bruno Ribeiro disse...

Olha, devo confessar que os comentários aqui postados me deixaram na boca um desejo de me saciar completamente (e digo isto artísticamente, claro. Mas não só. rs). Sinto que os blogs estão nos oferecendo oportunidades valiosas, em diversos aspectos, tanto para a arte, como num desejo pessol de nos expressar anônima ou publicamente.
E isto de enorme valor.
E quem sabe o "Roni" não cria um blog...
Bárbara, seu nome (e seu blog) dispensa comentários.

E continue "tocando (e sendo tocada) intimamente as pessoas", seja lá qual for o sentido da expressão. Em todos os sentidos e não-sentidos, por que, não?!
Parabéns.

Bárbara disse...

Olha, Bruno, não sou apenas eu que estou de parabéns, não! Adoro seus poemas, sinto com o desenvolvimento do blog, que seu estilo fica cada vez mais trancendental. E te admirando dessa forma, seus elogios têm grande importância para mim, por isso muito obrigada!

Acredito que todas as pessoas têm boas histórias para contar, sejam histórias de sua própria vida, como no meu caso, ou opiniões, como nos blogs do André e do Ulisses; de imagens, como o olhar poético do Léo e o safado do PD; e por meio da poesia, como você e o Nealdo.

O melhor de tudo isso é que me sinto próxima de todos vocês. Não me incomodo se não tenho um pageview alto, mas fico contente porque considero esses poucos que me visitam com frequência como amigos. Seus comentários encorajadores me servem de incentivo para continuar falando de mim mesma, porque mesmo com o anonimato, isso não é fácil.

Abraços, Bruno. E mais uma vez, muito obrigada.