domingo, 24 de maio de 2009

Sobre encontros inesperados e almofadas


(Gustav Klint - Woman friends)

Mesmo contra a minha vontade, logo vários amigo ficaram sabendo que eu estava doente. Eu sempre gostei de receber bem as pessoas no meu canto, com o ambiente bem iluminado e levemente perfumado, as coisas em ordem (não arrumadas porque nunca nunca consegui deixar o apartamento totalmente arrumado), as janelas abertas e aperitivos. Mas nos primeiros dias, eu não tinha forças pouca coisa além de ficar zapeando pelos canais da TV.

Minha mãe ainda ficou uma semana cuidando de mim e fez um bolo que lá no RN é chamado de cocada baiana, porque mais grossa que a camada do bolo é a cobertura que é feita de cocada molinha, com raspas grossas de coco (meus olhos reviram só de lembrar!), que fez sucesso entre quem apareceu lá em casa, entre elas uma visita inesperada: Diana.

Foi estranho tanto para mim quanto para ela estar lá em casa novamente. Percebi que ela observou s móveis mudados de lugar e a ausência das almofadas vermelhas, em forma de rosas, que ela havia me dado, e que não estavam mais no sofá da sala. Para mim, a sensação era de que já fazia tanto tempo que ela esteve aqui pela última vez, que parecia até que o nosso rompimento não passava de um sonho. Eu não sentia mais raiva ou remorso, mas também não era a mesma pessoa que havia convivido com ela.

Diana me tocou com suas mãos frias e o beijo que me deu no rosto durou um milésimo de segundo a mais do que um simples cumprimento amistoso. Fiquei um pouco apreensiva no começo – minha mãe nunca soube que eu namorei outra mulher – mas Diana tratou de deixar o clima ameno. Até que no meio da conversa perguntou pelas almofadas que havia me dado de presente, mas antes que eu falasse qualquer coisa, minha mãe respondeu.

- Aquelas almofadas lindas? Lavei, porque estavam com cheiro de mofo. Elas estão penduradas para secar.

Na hora, o rosto de Diana se iluminou. Adivinhei que ela estava pensando que eu havia me livrado das almofadas e ficou feliz quando soube que eu as tenho. Mas o que ela não sabia, e vai ficar sabendo agora, porque Diana é a única pessoa que conhece (ou melhor, tem certeza) da real identidade dessa pessoa que vos fala (tem muita gente que acha que conhece, e até que pensam que sou homem, rsrsrsrs). Bem, o que ela vai ficar sabendo agora é que o presente que me deu tava mofando no fundo do guarda-roupa e foi idéia da minha mãe resgatá-lo de lá. Eu havia guardado porque queria afastar de mim qualquer objeto que me lembrasse ela. Mas isso já passou.

Por um momento, minha mãe nos deixou sozinhas, enquanto atendia um telefonema do meu pai no outro quarto. Ela segurou minhas mãos entre as dela e pensei que ela fosse falar alguma coisa, pensei que eu fosse falar alguma coisa, mas ficamos em silêncio, até que ouvimos os passos da minha mãe retornando. Então tive certeza, algumas coisas não acabaram.

* * *

Não sei se devia estar falando essas coisas porque, como já disse, Diana pode ler isso aqui. Pode ser que esses pequenos sinais que percebi não signifiquem nada, pode ser que ela fique chateada por saber que o retorno das almofadas para o sofá foi obra de minha mãe. Já faz mais de uma semana que isso tudo aconteceu e não nos falamos mais, desde então. Mas eu espero que uma pequena centelha do que já passamos permaneça viva nela, porque em mim ainda existe. É isso que estou sentindo agora.

5 comentários:

Bruno Ribeiro disse...

Oi Bárbara. Bom te "ver" de volta.

E pode ter certeza de que ela (Diana) guarda lembranças suas (e vivas). Há algo que nunca morre. Ela te visitou e perguntou sobre as almofadas... O silêncio disse tudo o que não cabe em palavras.

Algumas coisas podem mudar, se transformar em algo menos concreto, e você nao precisa alimentar esperanças e nem também desitir.

Acredito que, se ela relmente ler (e eu acredito nisso) esse teu relato (e tantos outros), sem dúvida ela deve saber o quanto é desejada e importante para alguém. E isso conta muito.

Enfim, desejo realmente tudo de bom pra você. Com Diana, de preferência.

Beijo. E melhoras.

Pulsar disse...

hummmmm,... essa certeza que as algumas coisas não acabaram é complicado, eu vivi algo assim... e terminou muito mal. hoje praticamente não falo mais com uma das pessoas que mais gostei em minha vida....

beijos moça

Dando a Bunda pra Bater disse...

Já vi "pequenas centelhas", iguais a essas, serem o motivo de grandes incêndios.

Beijos e fique boa logo.

Enfil

Anônimo disse...

Conheço esse blog a pouco tempo mas acho a história de vocês duas tão bonita... na verdade, nunca entendi direito porque foi que acabou, mas se existe uma cetelha pairando no ar, vale à pena tentar de novo.

Para Diana: se você vem sempre aqui, precisa saber que como eu, acredito que muitas pessoas acham a Bárbara uma pessoa especial. Não deixe ela passar...

Vanessa disse...

Concordo plenamente, a barbara e um doce de pessoa e merece ser feliz e amada
fica bem e se cuida, viu garota!!!